A Arquidiocese de Curitiba celebra, em 2026, uma década de um dos maiores marcos de sua vida pastoral: a consolidação da Festa da Unidade, vivida na Solenidade de Corpus Christi. Ao longo desses 10 anos, a celebração eucarística deixou de ser realizada de forma isolada nas paróquias para se tornar uma grande manifestação pública de fé, reunindo milhares de fiéis em um único momento de comunhão.

A iniciativa nasceu a partir de um anseio pastoral do arcebispo Dom José Antonio Peruzzo, que identificava a necessidade de um dia em que o cristão católico pudesse expressar sua fé de forma visível, coletiva e marcada pela unidade e pelo pertencimento à Igreja. A proposta foi acolhida e, ao longo dos anos, estruturada com o apoio de diversas lideranças e equipes.

Segundo Eduardo Souza, coordenador da força de trabalho de Corpus Christi, o crescimento da celebração é fruto de um trabalho contínuo de organização, evangelização e integração. “A cada ano percebemos um envolvimento maior das comunidades, movimentos e pastorais. É um evento que deixou de ser apenas uma celebração e se tornou uma verdadeira expressão da Igreja viva”, destaca.
A linha do tempo dessa trajetória evidencia uma evolução constante. Em 2015 e 2016, a Arquidiocese iniciou a adaptação ao novo formato unificado. Já em 2017, a celebração reunia cerca de 50 a 60 mil pessoas. A partir de 2018, com maior profissionalização da organização e o fortalecimento das equipes, o evento ganhou estrutura mais robusta.
Em 2019, já prevendo a adesão popular, o investimento na parte artística, de palco e som marcou um salto significativo, atingindo cerca de 100 mil participantes. Mesmo durante o período da pandemia, entre 2020 e 2021, a celebração manteve sua presença por meio de iniciativas adaptadas, como visitas e transmissões online.
A retomada presencial, em 2022, trouxe ainda mais força à proposta, consolidando o evento como um espaço de evangelização pública. Nos anos seguintes, especialmente em 2023 e 2024, houve maior integração com os meios de comunicação, participação ativa de jovens e comunidades, além do fortalecimento da presença de diferentes setores da sociedade.
Em 2025, um marco importante foi o reconhecimento nacional da identidade visual da festa, criada pelo designer João Borges, premiada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O feito simboliza não apenas a qualidade estética da comunicação, mas também o amadurecimento institucional do evento. No mesmo ano, a solidariedade também se destacou: foram arrecadadas 11 toneladas de alimentos, reforçando o compromisso social da celebração.
Outro destaque é a crescente adesão popular e institucional. A celebração passou a contar com o reconhecimento e a participação de autoridades civis, lideranças religiosas e representantes de diversas áreas, refletindo sua relevância para toda a sociedade.

Para o padre Juarez Rangel, a quem foi confiada por Dom Peruzzo a missão de coordenar a festa, o sentido da celebração vai além do grande encontro de fé. “Este é um dia em que ninguém deve passar fome — nem espiritual, nem material”, afirma. Segundo ele, iniciativas como a coleta de alimentos, a distribuição de café da manhã e o atendimento pastoral são essenciais para dar concretude à vivência cristã.
Durante todo o dia de Corpus Christi, sacerdotes se dedicam ao atendimento de confissões e conversas de acolhimento, oferecendo escuta e orientação espiritual aos fiéis. “Cuidar das pessoas em todas as suas necessidades é parte fundamental daquilo que celebramos”, reforça o coordenador.
Para 2026, a expectativa é de uma edição ainda mais grandiosa. A celebração de Corpus Christi será também o ponto alto do centenário da Arquidiocese de Curitiba, reunindo o povo de Deus em uma manifestação histórica de fé, unidade e gratidão.
Hoje, o Corpus Christi de Curitiba é reconhecido como o maior do Brasil e um dos maiores do mundo, reunindo multidões em uma demonstração pública de fé, unidade e devoção à Eucaristia. Ao completar 10 anos, a Festa da Unidade reafirma seu propósito original: ser um sinal visível de comunhão da Igreja, onde cada fiel encontra seu lugar e expressa, junto aos demais, a alegria de pertencer ao Corpo de Cristo.