SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 20 – 31/08/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”. E disse também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.
Lucas 14,1.7-14).
Não ocupes o primeiro lugar
O meio acadêmico pode fazer brotar em nosso coração a atitude de competição. Nossos títulos e diplomas são tentadores: levam-nos, muitas vezes, a buscar privilégios, destaque e a estar acima dos outros. Quando isso acontece, pode ocorrer que também na prática pedagógica nós insuflemos em nossos alunos o desejo de ocuparem o primeiro lugar. Desse modo, a melhor nota, o melhor resultado no ENEM e no vestibular, a conquista de prêmios e de uma posição de sucesso parece ser o objetivo final da educação que oferecemos.
No evangelho deste domingo, Jesus propõe-nos outro caminho: “vai sentar-te no último lugar”. Essa é a lógica do Evangelho. O próprio Jesus viveu assim. E, em seu trabalho de anúncio do Reino de Deus, procurou os pequenos, os esfolados, os mais necessitados, os últimos. Se todos buscarem o último lugar, vai nascer disso um encontro de pessoas que se sentem irmanadas, sem vencedores nem vencidos, sem vitoriosos nem perdedores, sem escolhidos nem excluídos, sem privilegiados nem esquecidos. O Reino de Deus se constrói a partir desta lógica. E, como educadores cristãos, somos chamados a contribuir na sua construção, a começar pelo cotidiano da nossa sala de aula.
Para meditar ao longo da semana
1) Estou educando para o Reino ou para o pódio? Reflita se sua prática pedagógica valoriza mais a competição ou a fraternidade.
2) Escolho o último lugar com humildade ou busco os holofotes do saber? Examine se seus títulos servem ao outro ou apenas alimentam a vaidade.
3) Transformo minha sala de aula num espaço de inclusão ou de distinção? Pense se sua ação docente acolhe os pequenos ou exalta apenas os melhores.
Vivência concreta
1) Valorize o esforço mais do que o resultado. Reconheça em sala os avanços de cada aluno, mesmo que pequenos, incentivando o crescimento pessoal e não apenas a performance.
2) Crie espaços de cooperação, não de comparação. Proponha atividades em grupo que promovam a solidariedade e a ajuda mútua, ao invés da competição entre os alunos.
3) Pratique a escuta ativa dos “últimos” da sala. Dedique atenção especial aos alunos mais esquecidos ou com dificuldades, mostrando com gestos que todos têm dignidade, valor e lugar.