SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 33 – 30/11/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: 37 “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. 38 Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. 39 E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. 40 Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. 41 Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. 42 Portanto, ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”.
Mt 24, 37-44
A liturgia deste primeiro domingo do Advento nos faz um convite que se desdobra em três aspectos fundamentais para a vida cristã. São três ações interiores que podemos refletir e assumir como caminho espiritual neste tempo de esperança renovada. A primeira leitura, do profeta Isaías, apresenta o chamado a deixar-se iluminar pelo Senhor. O profeta anuncia um tempo novo, no qual a Palavra de Deus será luz para todos os povos, capaz de transformar armas em instrumentos de vida. Isaías recorda que, quando permitimos que Deus ilumine nossas escolhas e pensamentos, a violência interior e exterior vai sendo convertida em paz.
A luz de Deus não apenas revela a verdade, mas também cria possibilidades onde antes só havia conflito. Deixar-se iluminar é abrir espaço para que o olhar, os gestos e as relações sejam conduzidos pela justiça e pela paz anunciadas pelo Senhor. A segunda leitura, da Carta aos Romanos, apresenta uma segunda atitude essencial: o despertar. São Paulo afirma que “já é hora de despertar”, porque a salvação está próxima. Despertar, aqui, é sinônimo de viver com consciência, sobriedade e responsabilidade. É abandonar as obras das trevas — o que nos aprisiona ao egoísmo, à indiferença e à acomodação — para revestir-nos do Senhor Jesus Cristo. O apóstolo nos recorda que a fé não pode ser vivida sonolenta ou distraída, mas com empenho e prontidão. Despertar é também ajudar outros a despertarem para a beleza da vida, para a fé e para o amor que sustenta todas as coisas.
Por fim, o Evangelho nos apresenta a terceira atitude, que é vigiar. Jesus adverte seus discípulos para que estejam atentos e preparados, pois a vinda do Filho do Homem é inesperada. Vigiar significa viver consciente da missão recebida, sem deixar que a rotina endureça o coração. Vigiar é manter viva a sensibilidade espiritual, perceber a presença de Deus que se manifesta no cotidiano e não permitir que o cansaço, a dispersão ou a superficialidade roubem o sentido da vida cristã. É viver com um olhar atento, capaz de reconhecer a chegada do Senhor nos pequenos sinais.
Portanto, neste primeiro domingo do Advento, que é o tempo de renovarmos a nossa esperança, podemos nos perguntar qual dessas atitudes interiores mais precisamos praticar? Deixar-se iluminar por Deus, despertar ou vigiar? Será que necessitamos da luz de Deus para transformar nossos conflitos e dores? Ou talvez devamos despertar de um estado de acomodação que nos impede de viver plenamente? Ou ainda, quem sabe, precisamos aprender a vigiar, para não perder o sentido da missão que Deus nos confiou? O Advento é um tempo de graça que nos interpela a refletir. Que cada um de nós possa acolher, com sinceridade, a atitude que o Espírito Santo inspira e, assim, caminhar com esperança ao encontro do Senhor que vem.