
SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 15 – 27/07/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação'”. E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” (Lc 11,1-13).
Venha a nós o teu Reino
A oração “Venha a nós o teu Reino” (Lc 11,2) revela o profundo desejo de Jesus de que seus discípulos busquem, acima de tudo, a manifestação do Reino de Deus. Em outra passagem, Ele diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus” (Mt 6,33), sublinhando a prioridade desta busca na vida do cristão. Onde quer que passe, Jesus proclama: “O Reino de Deus está próximo!” (Mc 1,15; Lc 21,31), anunciando a chegada desse Reino revolucionário que transcende a ideia de um “lugar” específico, mas que é uma “condição de relacionamento” das pessoas entre si e com Deus.
Para compreender plenamente o Reino de Deus, é necessário olhar atentamente para as palavras e atitudes de Jesus, que revelam um Reino fundamentado na acolhida da paternidade divina, onde Deus é Pai de todos, sem discriminação, e todos são irmãos uns dos outros. Nesse contexto, o educador cristão, como discípulo de Jesus, deve fazer da busca pelo Reino de Deus o eixo central de sua vida, entendendo que o Reino se constrói na prática diária de fraternidade, amor, solidariedade, justiça, acolhimento e defesa dos mais fracos.
O educador, mais do que ensinar com palavras, deve ser um exemplo vivo desses valores, inspirando seus alunos a viverem esses princípios no cotidiano, contribuindo concretamente para que “venha a nós o Reino de Deus”. O trabalho do educador cristão se torna, assim, um campo privilegiado para a edificação do Reino de Deus, ao cultivar relações de justiça e amor fraterno em cada gesto e atitude no cotidiano da vida da escola.
Para meditar ao longo da semana
1) Como podemos, no cotidiano da sala de aula, viver e exemplificar os valores do Reino de Deus, como fraternidade, solidariedade e justiça, de modo que nossos estudantes percebam a concretude dessa mensagem em suas relações com os outros e com Deus?
2) Em que momentos do nosso trabalho educacional estamos realmente “buscando primeiro o Reino de Deus”, e como podemos transformar essa busca em uma prática diária, não apenas no discurso, mas também nas atitudes diante dos desafios e das dificuldades de cada aluno?
3) De que maneira nossa compreensão de Deus como Pai de todos e a nossa vivência de uma “condição de relacionamento” de acolhimento e respeito com cada aluno podem contribuir para a construção de uma comunidade escolar mais inclusiva, pacífica e justa, refletindo o Reino de Deus em nosso ambiente educacional?
Vivência concreta
1) O educador deve incentivar uma cultura de respeito, diálogo e cooperação entre os alunos, garantindo que todos se sintam acolhidos e valorizados. Isso pode ser feito por meio de dinâmicas de integração, incentivo ao trabalho em equipe e mediação de conflitos com base na empatia e no perdão.
2) Mais do que ensinar sobre amor, justiça e solidariedade, o educador deve demonstrar esses valores em sua conduta diária. Isso inclui tratar todos com equidade, acolher as dificuldades dos alunos com paciência e promover um olhar atento às necessidades dos mais vulneráveis na sala de aula.
3) O educador pode estimular os alunos a praticarem a solidariedade no cotidiano, seja por meio de pequenos gestos de ajuda mútua, projetos sociais na comunidade ou debates sobre temas como inclusão, justiça e dignidade humana. Essas iniciativas ajudam os estudantes a compreender que o Reino de Deus se manifesta nas atitudes concretas de amor ao próximo.