Você sabe quais as diferenças na vida religiosa?

Quando falamos sobre vocação religiosa, a primeira pergunta que passa em nossa mente é: “Qual dimensão da vida religiosa quero seguir?”
Pensando nisso, preparamos um conteúdo que possa te ajudar no discernimento vocacional acerca das diferenças na vida religiosa.

Vida Contemplativa

As congregações dedicadas completamente à contemplação, formadas por mulheres ou por homens, são um motivo de glória e uma fonte de graças celestes para a Igreja. Com a sua vida e missão, as pessoas que delas fazem parte imitam Cristo em oração no cimo do monte, testemunham o domínio de Deus sobre a história.

Na solidão e no silêncio, mediante a escuta da Palavra de Deus, a realização do culto divino, a ascese pessoal, a oração, a mortificação e a comunhão do amor fraterno, orientam toda a sua vida e atividade para a contemplação de Deus, oferecendo assim à comunidade eclesial um testemunho singular do amor da Igreja pelo seu Senhor.

Os Institutos que se dedicam exclusivamente à contemplação, em oração contínua e alegre penitência, conservam sempre a parte mais excelente dentro do Corpo Místico de Cristo, em que «nem todos os membros… têm a mesma função» (Rom. 12,4).

 Vida Apostólica

Na igreja, muitos são os institutos tanto clericais como laicais, dados às várias obras de apostolado, cada um com dons diferentes, segundo a graça que lhes foi dada: o ministério para servir; a doutrina para ensinar; o que exorta, para exortar; o que dá, com simplicidade; o que pratica a caridade, com alegria (cfr. Rom. 12, 5-8). «As graças são diferentes, mas o Espírito é o mesmo» (1 Cor. 12,4).

Em tais institutos, pertence à própria natureza da vida religiosa a atividade apostólica e de beneficência, como o exercício do santo ministério e as obras de caridade próprias, que a Igreja lhes confiou e que eles devem exercer em seu nome. Por isso, toda a vida religiosa dos seus membros seja imbuída de espírito apostólico e toda a sua ação apostólica seja informada pelo espírito religioso. Para corresponderem à sua vocação de seguir a Cristo e servir ao próprio Cristo nos Seus membros, é necessário que a sua ação apostólica emane da sua união com Cristo. Sucederá que, desta forma, se alimenta a caridade para com Deus e para com o próximo.

 Vida Monástica

O principal dever dos monges é servir, de modo humilde e nobre, a divina majestade dentro das paredes do seu mosteiro, quer se entreguem totalmente ao culto divino na vida contemplativa, quer tenham assumido legitimamente algumas obras de apostolado ou caridade cristã.

A vida contemplativa monástica, em grande parte enunciada ao feminino, enraizou-se no silêncio do claustro gerando preciosos frutos de graça e misericórdia. A vida contemplativa feminina representou sempre, na Igreja e para a Igreja, o coração orante, guardião de gratuidade e rica fecundidade apostólica e foi testemunha visível de misteriosa e multiforme santidade.

Testemunhos

Confira o depoimento de alguns religiosos acerca da experiência vocacional de cada um:

  • Frei Alysson Cássio – Carmelita Descalço

“A consagração é um mistério: nenhuma palavra dá o sentido pleno de uma realidade que supera toda inteligência humana.”

Religioso há 16 anos, Frei Alysson Cássio, natural de João Monlevade-MG, iniciou seu caminho para a vida consagrada na Província São José – que abrange o sudeste e nordeste do Brasil – dos Frades Carmelitas Descalços, ordem a qual pertence atualmente. Foi na juventude, com o envolvimento em atividades pastorais que viveu seu despertar vocacional. O religioso tomou conhecimento do Carmelo Descalço, com seu carisma e espiritualidade, através de livros sobre a vida de Santa Teresa de Jesus e Santa Teresinha do Menino Jesus e decidiu seguir este caminho.

“a consagração religiosa envolve uma prévia eleição por parte de Deus: é Ele quem chama, quem toma a iniciativa de convidar. É um ato de Deus Pai, que nos consagra em Cristo, com Cristo e para Cristo, na unidade do amor que é o Espírito Santo. Por isso é que se pode dizer que a consagração é uma ação divina.”

Frei Alysson ressalta ainda que ao assumir a vida consagrada o ser humano procura viver em real configuração com Cristo casto, pobre e obediente, sendo que a consagração importa uma presença ativa e permanente de Deus no consagrado. Divide também a realidade de sua consagração dentro do Carmelo, que se dá por meio da oração e contemplação das realidades divinas. ‘’Todo o apostolado deve ser fruto da vida de oração.’’

 

  • Irmã Maria Raquel – Instituto HeSed

A irmã Maria Raquel, pertencente ao Instituto HeSed- CE testemunha a beleza e profundidade da vida consagrada dentro de um instituto religioso.

Ela conta que até os seus 18 anos, a consagração a Deus não era sequer uma possibilidade. Tinha planos de estudar, profissionalizar-se, casar e ter filhos; era essa a direção que havia escolhido para sua vida.
“No entanto, encontrar-se com o Amor é algo que não apenas lhe transforma, mas que pode alterar todo o curso de sua vida. Posso dizer que não apenas me encontrei com Alguém, como me apaixonei por este Deus de uma maneira até então nunca experimentada. Os meus sonhos, que pareciam ser tão grandes, tornaram-se insignificantes quando comparados ao plano que Deus traçou para mim. Lancei-me neles com amor!”

A partir da primeira experiência com Deus, Irmã Maria Raquel foi percebendo uma sede insaciável dEle, um desejo irresistível de dar sua vida por Ele, pela Igreja, pela salvação das almas, pelos sacerdotes, pelos jovens e pelas famílias. A religiosa revela que esses sentimentos todos lhe surpreenderam inicialmente; sentiu medo de algo tão inusitado, mas com o passar do tempo deu-se conta de que viver só para si, buscando a sua autossatisfação, já não fazia sentido algum.

“Eu precisava ofertar a minha vida e era esse o chamado contínuo que o Senhor me fazia: ‘Vem e segue-me!”

A vida religiosa foi a forma que o Senhor a inspirou, para que a oferta de sua vida se realizasse.

“A vida religiosa é sinal para todos do que se dará no Céu. Ela prefigura a união total e absoluta entre o Esposo e a esposa, isto é, entre Deus e a humanidade. E o que é ser esposa de Cristo? Parafraseando Santa Elisabete da Trindade, ‘ser esposa do Cristo é ser fecunda, corredentora, dar à luz às almas e à graça, multiplicar os adotivos do Pai, os resgatados do Cristo, os coerdeiros de sua glória’. Eis a nossa vocação!”, dividiu ela.

Para a Irmã Maria Raquel, ser religiosa é ter a feliz missão de cantar as misericórdias do Senhor, pois ‘’não existe realidade de pecado, nem de afastamento de Deus, que não possa ser ultrapassada pelo amor misericordioso’’, como testemunha e ensina a fundadora do Instituto HeSed Madre Jane Madeleine.

“Nossa vida é um misto de contemplação e ação. Buscamos por meio da contemplação a união com Deus para depois transbordarmos na missão este mesmo amor que deseja fazer arder todos os corações, sobretudo o dos mais distantes, frios e esquecidos.”

Há 10 anos, a Irmã Maria Raquel vive a alegria da vida consagrada; um “sim’’ fecundo na vida de tantas pessoas, de maneira muito particular na vida de tantos jovens. ‘’Algo que só Deus pode fazer e Ele tem feito de maneira extraordinária!’’, concluiu a religiosa.
  • Vitor Aragão – Comunidade Católica Shalom

“Pela igreja, pelos homens, pelos jovens, me consumirei.”

Vitor Aragão de Carvalho, natural de Fortaleza-CE, é consagrado na Comunidade Católica Shalom, com promessas definitivas e seminarista, em Roma. Vindo de uma família muito católica, teve desde cedo contato com a religião, porém isso não o poupou de suas dúvidas e questionamentos sobre a fé.

O encontro com sua vocação começou quando, ao estar em um momento de incertezas e questionamentos, Vitor foi convidado para participar de um acampamento de jovens.19 de janeiro de 2007 é uma data marcante para o jovem seminarista: dia em que viveu seu encontro pessoal com Jesus Cristo e ali entendeu que não poderia mais ser o mesmo; não poderia viver sem Deus.

“A partir deste encontro eu não mais ouvia falar de Deus, mas ouvia Deus falando diretamente comigo. E um detalhe mudou tudo em minha vida: Ele se tornou o meu melhor amigo.”

Vitor conta também que neste momento não tinha planos de ser consagrado e nem seminarista.  Seu foco era apenas ser amigo de Jesus. Construiu então uma caminhada de amizade com Deus; participou de grupos de oração, foi catequista e teve contato com alguns carismas. Posteriormente, sentiu-se chamado a dar um passo a mais.

“Foi quando perguntei a Deus, assim como São Francisco de Assis perguntou, ‘Senhor o que tu queres que eu faça?’. Jesus respondeu que me queria inteiramente para Ele e me pediu para que anunciasse o amor que eu havia conhecido.”

Diante desta resposta que recebeu, Vitor começou a buscar o caminho que o levaria a ser todo de Deus. Assim, iniciou sua trajetória na comunidade de vida Shalom, onde vive a pobreza, a castidade e a obediência. O amor pelos jovens e o ser missionário foram sempre o sentido de todo o caminho de consagração de Vitor.

Com relação ao sacerdócio, o jovem divide que já havia se questionado algumas vezes sobre essa vocação, mas não como uma decisão e correspondência a um convite de Deus. Com o tempo, o chamado ao sacerdócio foi se tornando forte e se transformou em uma inquietação do seu coração.
“Tive muito medo de dizer sim ao sacerdócio, mas esse medo foi sendo vencido por Deus. Lembro-me de dias em que disse para Ele que não iria ser padre; bastava eu ser missionário. Mas no outro dia, o Senhor me inquietava novamente e eu tinha uma nova chance de respondê-lo.”

O seminarista revela ainda que hoje entende que todo medo é pequeno diante da graça de Deus e que Ele nos escolhe mesmo fracos e falhos, do jeito que somos. Compreende que mesmo com suas dificuldades, é chamado a ser missionário, ser a misericórdia de Cristo para os outros. Como consagrado e futuro sacerdote, Vitor tem uma rotina de oração, estudos e trabalho. Dedica as manhãs para a oração, como um tempo específico para Deus e para fortalecer seu amor esponsal e concilia os demais compromissos ao longo do dia.

“O amor esponsal a Deus me faz querer estar em comunidade, viver a vida fraterna e a unidade com cada um dos meus irmãos. E o amor a Deus, unido aos irmãos, resulta na evangelização constante”, explicou.

Vitor trabalha no Centro Internacional São Lourenco, com a evangelização dos jovens de todas as nações e sente que este é o seu chamado pessoal: a evangelização do jovem. ‘’Sou padre porque Deus me chamou, mas pelos jovens. Escolho dizer ‘sim’ em Deus, pelos jovens.’’

Para ele, o ser consagrado é, de fato, ser separado; separado para Deus.
“Durante a minha vida eu tive muitas oportunidades de escolher outros caminhos, mas Deus quis me separar e essa é a minha grande alegria. Existe uma plenitude de felicidade que só experimentamos quando fazemos a vontade de Deus. Encontro plenitude quando sou separado para Ele e lançado para os outros, podendo ser alimento para um mundo que geme, sofre e espera, com fome, a manifestação dos filhos de Deus, que se fazem eucaristia”, concluiu Vitor.

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Por
Yasmin Gasparini

Com informações do Vatican News e Decreto Perfectae Caritatis sobre a conveniente renovação da Vida Religiosa

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